segunda-feira, 1 de agosto de 2016

24h de Sofrimento

     Crônica: Releitura da 5ª temporada de Grey´s Anatomy.


          Tem dias no qual eu acordo, e cai a primeira lágrima sobre meu travesseiro. Eu sabia que poderia salvar muitas pessoas, mas também iria dar a péssima notícia aos familiares ou amigos de alguns: "Infelizmente, ele não aguentou na cirurgia" . Então, sempre que viramos as costas, escultamos o mundo desabar atrás de nós. É bem triste que não conseguimos salvar uma pessoa, mas é como diz o seguinte ditado: "Estava na hora, ela precisava descansar."
           Não é o problema de "descansar", mas uma criança de oito anos tinha muito o que viver ainda. Ser cirurgião, as vezes, não é tão fácil. Principalmente, na hora de dar notícias ruins.
          As vezes, vamos apenas fazer uma entrevista de emprego, e somos atropelados por um ônibus, onde nem nossos amigos médicos, cirurgiões, residentes e enfermeiros nos reconhecem e nos apelidam de "João ninguém", pois nosso rosto está completamente deformado, incapaz de ser reconhecido.
          É tão triste, quando roda a notícia de que uma de suas melhores amigas, tem metástase em estágio quatro no corpo inteiro, e que tem somente dois ou três meses de vida. E sempre vem a seguinte pergunta em nossa cabeça: "Será que ela vai sobreviver? Será que não vai acontecer uma morte cerebral na cirurgia? Vamos conseguir ressecar o tumor todo do cérebro? E do pulmão?" Nesse momento, o mundo desaba novamente em cima de mim.
           As vezes, nos apaixonamos por pacientes, o que é inaceitável. Mas não conseguimos impedir. E para que aconteça um transplante de coração em nossa grande paixão, fazemos coisas que podemos perder nossa estrelinha de cirurgião, como: cortar o fio do LVAD, que seria, matar ele por um minuto, e depois tentar ressuscitá-lo. Como não sabemos o próximo segundo, minuto, dia, hora, seria somente tentar mesmo, pois ele morreria em nossos braços, e por todos os dias de nossa vida, ele nos assombraria, e sempre se sentiríamos culpados por ter matado alguém que a gente ama, somente para poder tentar salva-lá. 
           Depois de vinte e quatro horas de plantão, volto a minha casa, fico em frente ao espelho e minhas lágrimas começam a escorrer pelo meu rosto, uma amiga com câncer, um amigo morto, o que aconteceria amanhã? Poderia ser eu no necrotério, ou minha mãe! Mas ai me lembro, minha mãe já morreu também. As vezes o mundo é muito cruel, e muito difícil, a maioria dos dias, vão ser de sofrimento.
Diogo Soria                               




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